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E dormir é...? Os workaholics têm a resposta fácil: "perda de tempo". Passar um terço da vida inconsciente parece mesmo desperdício. É o contrário. Um tempo de sono abaixo do recomendado afeta diretamente a produtividade da população e interfere até no PIB de países. Por: Superinteressante

Estudo publicado no fim de 2016 por um instituto de pesquisas europeu acompanhou a rotina de habitantes em cinco países desenvolvidos (EUA, Canadá, Reino Unido, Alemanha e Japão). Sua conclusão foi que o tempo de sono reduzido gera um prejuízo de 680 bilhões de dólares por ano. Isso só nesses lugares.

Até os homens das cavernas já sabiam que dormir vale a pena. Para eles, pregar os olhos até significava estar vulnerável por uma boa parte do dia aos perigos da natureza, mas também era a única maneira de economizar energia e descansar o corpo para as tarefas do dia seguinte. Hoje em dia, sabemos que os processos que levam ao sono e que acontecem durante a noite são bem mais complexos do que uma simples recarga de celular.

No meio do seu cérebro fica a glândula pineal, um órgão do tamanho de uma semente de laranja que, entre outras coisas, produz um hormônio chamado melatonina. Ela funciona como um sonífero natural, que faz efeito no seu corpo em ciclos de 24 horas, acompanhando o ritmo do Sol. Quando escurece, o cérebro libera mais melatonina, e você fica mais sonolento. O nível do hormônio cai pela manhã, quando o dia clareia. Além de fazer adormecer, a melatonina também tem efeito antioxidante e atrasa o envelhecimento dos tecidos do corpo. Só que nossa rotina bagunça a mágica da natureza.

Estamos acostumados a assistir a TV e mexer no celular na hora de deitar. O corpo confunde a luz dos aparelhos eletrônicos com a luz do dia e isso atrapalha o trabalho da glândula pineal. A falta de melatonina desregula o ciclo do sono. Sem sono, além de gastar mais energia do que deveria, o corpo fica sem sua dose diária de manutenção.

Enquanto dormimos, o cérebro descarta células mortas e moléculas da proteína beta-amilóide, cujo acúmulo atrapalha conexões neurais e pode resultar no desenvolvimento da doença de Alzheimer. Em outras palavras, nossa mente aproveita que as luzes estão apagadas para fazer uma faxina geral e jogar fora o que não é útil. Isso também funciona para as memórias.

Segundo a hipótese da homeostase sináptica (SHY, em inglês), criada por psiquiatras da Universidade de Wisconsin-Madison, o cérebro apaga algumas memórias enquanto dormimos. Isso acontece graças à liberação de ácido gama-aminobutírico, que enfraquece as ligações entre os neurônios que formam nossas lembranças. A escolha não é aleatória. O cérebro percebe quais são as memórias mais fortes - ou seja, quais delas têm muitas ligações com outras memórias antigas - e mira nas mais fracas. Assim, nos esquecemos do que o cérebro considera irrelevante e abrimos mais espaço para outras lembranças.

Essa faxina no departamento de memórias do cérebro acontece na terceira fase do sono - o tal sono pesado, que vem logo antes da fase em que começamos a sonhar. Talvez seja por isso que os sonhos às vezes pareçam memórias distorcidas, misturadas com desejos reprimidos e outros ingredientes ainda mais difíceis de explicar. Mas, podemos tentar.

As quatro fases do sono

Tão importante quanto dormir pelo tempo apropriado é ter um sono equilibrado. Enquanto dormimos, o cérebro fica em constante atividade, e a frequência das ondas cerebrais oscila. Cada faixa de frequência corresponde a uma “fase” do sono. Ao longo da noite, essas fases se alternam e o cérebro cumpre tarefas específicas a cada uma. Distúrbios do sono atrapalham essa alternância, pois nos puxam de volta para a vigília diversas vezes.

Fontes:
Sleep-Wake Cycle: Its Physiology and Impact on Health, National Sleep Foundation
Conteúdo Super Interessante II_SABRAGE.MDY.17.06.0294


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Hotel do sono é realização Medley com apoio da Associação Brasileira do Sono
Última atualização: 20/07/2017
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