Brincar com os filhos
cansa e faz bem para a saúde

Você abre a porta de casa após um dia extenuante no trabalho e só pensa em se jogar no sofá. Mas, do lado de dentro, as crianças ainda estão com um pouco de energia para gastar e pedem para vocês brincarem um pouco depois do jantar.

Antes de dar a resposta, você deveria saber que essa brincadeira, mesmo com o cansaço, pode ser muito boa tanto para os pais quanto para os filhos. Uma pesquisa mostra que a brincadeira pode melhorar as habilidades das crianças para planejar, organizar, conviver com os outros e regular as emoções. Além disso, o brincar é importante para o desenvolvimento da linguagem, matemática e habilidades sociais, e até ajuda as crianças a lidar com o estresse.1

Já para o adulto, a brincadeira é uma excelente fonte de energia que combate o estresse acumulado de um longo dia de trabalho1. Além disso, muitas das brincadeiras envolvem atividades físicas e ainda ajuda quem é sedentário a se movimentar um pouco diariamente.

De acordo com a especialista em pediatria do hospital infantil de Boston e editora de saúde da universidade de Harvard, Claire McCarthy, as crianças devem estar ativas por uma hora todos os dias e a brincadeira é uma maneira de garantir isso2. "Estimular brincadeiras ativas é o melhor exercício para as crianças", disse.


Confira algumas dicas para tornar a brincadeira infantil uma rotina saudável na sua vida e da sua família:

Escolha a brincadeira de acordo com a idade da criança. Os bebês humanos, ao contrário de outras espécies, são totalmente dependentes de seus pais nos primeiros anos de vida. As brincadeiras infantis começam logo nos primeiros dias, com a mãe ou pai brincando com o filho, ensinando o bebê a interagir.1

E é desta maneira, com experimentação em ambientes seguros, que as crianças vão se desenvolvendo. Como quando aprendem a andar, mesmo sabendo que vão cair, entendem que precisam fazer aquilo e que estão em ambiente seguro.1

Quando as partes motoras já estão mais desenvolvidas, é hora de deixar os pequenos brincarem ao ar livre, como em praças ou parques. É nessa hora que muitas crianças começam a demonstrar suas habilidades e preferências, como escolher andar de bicicleta ou patins ou eleger um brinquedo preferido no parquinho.

Brinque dentro ou fora de casa. Pesquisadores defendem que, sempre que possível, é recomendável fazer brincadeiras fora de casa3, como em parques e quadras ao ar livre. No entanto, todos sabem que nem sempre isso é possível nas famílias modernas, principalmente no período noturno.

Sendo assim, não deixe de brincar com seus filhos só porque estão dentro de casa. Há inúmeras brincadeiras que podem ser feitas em ambiente interno, inclusive aquelas que envolvem atividade física como pega-pega ou esconde-esconde.

O importante é tomar cuidado com os objetos e móveis para que ninguém se machuque. Fora isso, a correria está liberada dentro de casa.

Deixe a criaça livre. Algumas das brincadeiras infantis, principalmente aquelas mais desgastantes, envolvem um certo tipo de risco. A criança pode cair, se ralar ou bater em algum objeto.

Tudo isso deve ser evitado, mas são riscos inerentes de uma brincadeira saudável e ajudam no desenvolvimento infantil. Por outro lado, atitudes superprotetoras dos pais podem ser prejudiciais se forem usadas com frequência excessiva.4

Um estudo norte-americano concluiu que os pais ultracontroladores podem ter efeito negativo no desenvolvimento da criança para lidar de forma correta com emoções e comportamentos.4

Os chamados "pais-helicópteros", que estão sempre vigiando os filhos, acreditam que as crianças não sabem lidar com as emoções, o que pode acarretar em adultos justamente com essas características. "As crianças precisam de cuidadores que sirvam de guia para entender o que acontece com elas", dizem os especialistas.4

Em brincadeiras, muitas vezes a criança tropeça, as paredes ficam sujas, a roupa acaba com alguma mancha. Desde que não seja um movimento deliberado da criança para provocar os pais, seja algo ocasional, não há motivos para uma repressão. A brincadeira sem pressão é muito mais gostosa.

Ser competitivo ou deixar a criança ganhar?

Muitas brincadeiras envolvem o conceito de ganhar ou perder e, dependendo da idade da criança, a desvantagem que ela leva em relação a um adulto é muito grande. Neste caso, seria melhor deixar ela ganhar?

O ideal, segundo a psicóloga e terapeuta familiar Lidia Rosenberg Aratangy5, é equilibrar o jogo. Deixar uma criança ganhar passaria a informação de que só os vencedores têm uma autoimagem positiva e o aprendizado deveria ser que uma criança que perde não precisa se sentir humilhada.

A derrota contém uma lição, que a de se esforçar para melhorar o desempenho. Se isso não ocorrer, em algum momento essa criança vai jogar contra um colega e vai sentir a frustração dupla da derrota.

A dica, neste caso, é criar regras que deixem a criança mais competitiva no jogo. É o famoso "dar 15 segundos" de vantagem em uma corrida, o que tornaria a vitória da criança possível.

Hora de brincar com os filhos!

Com tudo isso em mente, que tal colocar em prática brincadeiras infantis que lhe farão queimar calorias e se divertir com a criançada? Confira, abaixo, cinco brincadeiras de tirar o fôlego:

Pular corda

Essa é uma brincadeira bem antiga e que, por falta de tempo e espaço, acaba saindo de moda entre a nova geração. Mas o pular corda é uma ótima maneira de reunir amigos e familiares para uma brincadeira muito divertida e que faz queimar bastante caloria.6 Afinal, quantas calorias perde pulando corda? Uma pessoa de 70 quilos, por exemplo, pode queimar até 372 calorias pulando corda durante 30 minutos. É uma quantidade similar à de uma corrida ou de uma natação em alta intensidade.

Corrida de três pernas

Essa atividade também deverá ser realizada ao ar livre. Muito comum em gincanas, ela é muito fácil de se preparar. Pegue uma faixa e amarre a perna direita de uma pessoa com a perna esquerda do outro. Trace uma linha de chegada e dê a largada. A dupla que chegar primeiro é a vencedora desse jogo que exige atenção, rapidez, coordenação e equilíbrio. Além disso, as crianças vão estimular a solidariedade entre elas, já que é um jogo em equipe.

Boliche de garrafa pet

Essa brincadeira pode ser feita dentro de casa ou fora dela e é muito simples. Pegue seis garrafas pet vazias e coloque um pouco de água ou areia dentro delas para dar um pouco de peso. Posicione no formato de pinos de boliche e chame as crianças para brincar. A "bola de boliche" pode ser uma bola de tênis ou uma de plástico pequena.

Vivo ou morto

Essa é uma brincadeira clássica e que pode ser feita em qualquer lugar. A dinâmica é simples: o mestre posiciona as crianças pela sala, por exemplo, e dá os comandos "morto", e todos devem se agachar, ou vivo, quando todos devem permanecer de pé.

No entanto, há uma atualização da brincadeira e outros comandos foram incorporados. Confira:

Muito vivo: todo mundo deve pular e se mexer muito;
Muito morto: todo mundo deve deitar no chão;
Panela de pressão: todo mundo gira com a mão na cabeça e fazendo barulho de panela de pressão;
Minhoca: todo mundo fica de pé, mas com a cabeça virada para o lado.

Dessa maneira, é possível divertir as crianças por muito tempo e não deixe de brincar também, deixando os pequenos darem os comandos. Irá se divertir muito!

Peteca

A peteca é um esporte que teve início no Brasil, com os indígenas, e pode ser uma excelente fonte de diversão. É preferível que seja jogado em espaços abertos, para evitar quebrar algo dentro de casa. A regra básica é jogar a peteca de uma pessoa para a outra, sem deixar o objeto cair. Sem dúvida é uma atividade muito divertida e irá ajudar a queimar calorias!

Referências bibliográficas:



1. Michael Yogman, Andrew Garner, Jeffrey Hutchinson, Kathy Hirsh-Pasek, Roberta Michnick Golinkoff. The Power of Play: A Pediatric Role in Enhancing Development in Young Children.
Disponível em: https://pediatrics.aappublications.org/content/142/3/e20182058 - Acesso em 16 de setembro de 2019.

2. Harvard Medical School, Claire McCarthy, MD. 6 reasons children need to play outside.
Disponível em: https://www.health.harvard.edu/blog/6-reasons-children-need-to-play-outside-2018052213880 - Acesso em 16 de setembro de 2019.

3. Sanford Health. Top 5 benefits of children playing outside.
Disponível em: https://news.sanfordhealth.org/childrens/play-outside - Acesso em 16 de setembro de 2019.

4. El País. ‘Pais-helicóptero’ criam filhos incapazes e dependentes.
Disponível em: https://brasil.elpais.com/brasil/2018/06/20/actualidad/1529486353_430587.html - Acesso em 16 de setembro de 2019

5. Empresa Brasil de Comunicação (EBC). É positivo deixar a criança ganhar quando competimos com ela?
Disponível em: http://www.ebc.com.br/infantil/para-pais/2016/11/e-positivo-deixar-crianca-ganhar-quando-competimos-com-ela - Acesso em 16 de setembro de 2019.

6. Harvard Medical School. Calories burned in 30 minutes for people of three different weights.
Disponível em: https://www.health.harvard.edu/diet-and-weight-loss/calories-burned-in-30-minutes-of-leisure-and-routine-activities - Acesso em 16 de setembro de 2019.

Inspirações
Pular corda
http://www.tempojunto.com/2015/03/16/brincadeiras-de-rua-que-todos-deveriam-fazer

Corrida de três pernas
https://www.ufrgs.br/quemquerbrincar/wp-content/uploads/2016/04/Corrida-das-Tr%C3%AAs-Pernas-.pdf

Boliche de garrafa pet
https://claudia.abril.com.br/noticias/brincadeiras-espirito-equipe

Vivo ou Morto
https://www.tempojunto.com/2016/03/30/atualizar-a-brincadeira-de-antigamente-para-ser-a-mamae-prafrentex-vivo-ou-morto

Peteca
https://www.fazfacil.com.br/lazer/como-jogar-peteca-um-jogo-de-origem-brasileira

SABRAGE.MDY.19.09.0351