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como a empatia poderá te ajudar a enfrentar a depressão?

Você já sentiu vontade de falar sobre as suas dores ou problemas, mas teve medo de ser julgado? Isso acontece quando não há empatia em um relacionamento, seja ele amoroso, familiar ou de amizade.

“Empatia é a capacidade que temos de nos colocar no lugar do outro e, com isso, reconhecer seus sentimentos e emoções, nos despindo de todo e qualquer julgamento”, explica a psiquiatra Ana Paula Carvalho. “É saber reconhecer como verdade a perspectiva do outro, conectando-se de fato com aquela pessoa”, completa.

O poder da empatia em casos de depressão

Quando praticamos a empatia, ou sentimos que outra pessoa está sendo empática conosco, nos sentimos mais confortáveis para compartilhar sentimentos e angústias. E esta dinâmica de falar e ser ouvido é muito importante em casos de depressão. “Toda pessoa com depressão tem a necessidade de ser ouvida e poder falar sobre sua dor. Mas ao mesmo tempo, fica apreensiva ao pensar que pode ser julgada por terceiros”, diz Ana Paula.

Assim, é papel do ouvinte saber se conectar verdadeiramente à pessoa que tem depressão. Tal exercício vai além de simplesmente praticar a simpatia, pois ser simpático não significa saber se colocar no lugar do outro.

Empatia, uma prática diária

No entanto, a empatia é uma via de mão dupla. Qualquer pessoa, mesmo quem está deprimido, deve cultivá-la em seus relacionamentos em geral, como no trabalho ou na vida pessoal. “Colocar-se no lugar do outro ajuda a julgar menos e a ajudar mais, evitando conflitos desnecessários e, com isso, fortalecendo as relações”, afirma Ana Paula.

Para a psiquiatra, relações interpessoais distantes e pouco profundas podem ser um gatilho para a depressão. “Estamos hiperconectados pelas redes sociais, mas não cultivamos relações reais. O vínculo com o outro é extremamente importante. Estudos apontam que a solidão já é tão maléfica para o organismo quanto a obesidade1”, destaca.

Cultivar bons relacionamentos é, então, uma forma de cuidar da saúde mental. Mas como fazer isso? “Faça-se presente de verdade”, aconselha Ana Paula. “Marque aquele almoço que nunca aconteceu com um amigo distante. Saia com os amigos. Receba pessoas queridas em casa. Esteja perto das pessoas que são importantes para você e, quando falo perto, me refiro ao contato real e não por meios de comunicação e redes sociais”, reforça.

Fale com o coração

Qual foi a última vez que você abriu seu coração para alguém querido? Quando as relações interpessoais estão fortalecidas, nos sentimos mais à vontade para demonstrar nossas vulnerabilidades. Tal exercício também pode ser um aliado da saúde mental e ajudar no combate à depressão.

“Falar com pessoas próximas e pedir ajuda sem medo de julgamentos é essencial. Escolha uma pessoa em quem confie e se abra com ela. Fale sobre seus sentimentos e angústias”, diz a especialista.

Se você sente que precisa de ajuda, diga isso ao seu amigo, parente, companheiro ou à pessoa que te faz sentir segurança, seja quem for. Além de te dar apoio, ela poderá te ajudar a encontrar um profissional adequado para dar início ao seu tratamento. “Muitas vezes, a pessoa com depressão tem vergonha de buscar ajuda e a companhia de alguém de confiança é de grande valia neste momento”, completa Ana Paula.

Portanto, não deixe que o medo de incompreensão te impeça de buscar apoio. Sempre há um ombro amigo com o qual você poderá contar. Lembre-se: você não está sozinho.

Referências:

1. American Psychological Association [homepage na internet]. So Lonely I Could Die [acesso em 22 Out 2018]. Disponível em: https://www.apa.org/news/press/releases/2017/08/lonely-die.aspx Artigo original: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5598785/ e pdf: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5598785/pdf/nihms840818.pdf

Material elaborado a partir de entrevista com a psiquiatra Ana Paula Carvalho, formada em Medicina pela Universidade Federal Fluminense, mestre em Psiquiatria pela Universidade Federal de São Paulo.

SABRAGE.MDY.18.10.0352