em

elas escolheram não ser mães e estão felizes com isso

Mulheres falam sobre as cobranças por filhos e como convivem em harmonia com familiares e amigos pela liberdade de escolher não ser mãe.

 

A maternidade, sem dúvida, é o desejo da ampla maioria das mulheres, mas é crescente o número de pessoas que entendem que não nasceram para exercer este papel e, apesar de um possível olhar de desaprovação de amigos e familiares, é uma escolha que deve ser respeitada tanto quanto o desejo de ter filhos.

Aos 42 anos, a escritora carioca Lakshmi Lobato é uma dessas mulheres que escolheram pelo direito de não ter filhos. Casada, e com uma carreira bem construída, Lak, como é conhecida, acredita que a felicidade possa vir de várias partes e não precisa, necessariamente, passar pela maternidade.

 

"Quando eu era mais jovem, pensava em ter filhos. No entanto, eu percebi que não me sentia igual às outras meninas com esse assunto e entendi que a maternidade era um desejo incutido em mim por influência social, ou seja, era algo que eu havia aprendido desde sempre que eu deveria querer, mas lá no fundo, não sentia essa vontade", contou.

 

O sentimento de Lak é parecido com o que viveu a jornalista Ana Carolina Souza, de 32 anos. Vinda de uma família numerosa, com muitos irmãos e sobrinhos, ela percebeu que não tinha vontade de enfrentar a maternidade que, apesar de ser maravilhosa em vários sentidos, também pode ser bem desafiadora. "A sociedade nos diz que devemos ser mães, mas não podemos colocar todas as mulheres sob o mesmo molde. As pessoas são diferentes, sejam em seus sonhos, nas vontades ou capacidade de doação".

Ana Carolina e Lak fazem parte de uma nova realidade das famílias brasileiras, como divulgou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 20141, revelando o aumento do número de casais sem filhos enquanto o número de mães solteiras diminuiu. Esse movimento até ganhou um nome internacionalmente: NoMo, do inglês No Mother (Não Mães).

As duas possuem em comum, além da escolha, uma relação muito próxima com crianças. A escritora, que perdeu a audição aos 10 anos de idade e voltou a ouvir após 23 anos com a utilização de um implante coclear, desenvolve trabalhos com crianças que também usam esta tecnologia para poder ouvir. "Eles são meus afilhados", conta Lak, que acaba de publicar um livro infantil voltado justamente para esse público.

Já Ana Carolina é apegada aos sete sobrinhos, das mais variadas idades. "Eu amo estar entre eles e acho que sou uma boa tia", disse. Apesar dessa facilidade em lidar com os pequenos, ela acredita que a responsabilidade que recai sobre uma mãe é descomunal e que esse tipo de dedicação é algo pelo qual ela não pensa em passar.

De repente, mãe

A analista de mídias sociais Gabriella Zavarizzi vive seu primeiro ano de mãe como os gêmeos Gabriel e Catarina. Antes da gravidez não programada, ela pensava em não ter filhos e durante muito tempo ouviu de parentes e amigos que a vida dela só seria completa com as crianças.

 

"Eu não queria ter filhos e posso dizer que tenho agonia ao momento do parto, que não acho nada mágico, apesar de respeitar quem pense diferente. Eu sempre fui julgada, principalmente pelo fato de procurar fazer uma cirurgia de retirada de útero por causa do sofrimento que tenho nos períodos menstruais", contou a jovem de 24 anos.

 

Ao saber que estava grávida, Gabriella entrou em choque e confessa que não conseguiu esboçar qualquer reação positiva relacionada à gravidez nos três primeiros meses. "Foi um processo de aceitação muito complicado, que tive que tratar com terapia". A notícia de que estava grávida de gêmeos veio no dia do falecimento de sua avó, pessoa com quem tinha uma forte ligação, o que tornou tudo ainda mais intenso.

Não foi fácil, mas ela conseguiu enfrentar seus conflitos internos e abraçar de vez a maternidade, ao lado do marido. "Estou muito bem resolvida com essas questões e amo os meus filhos. No entanto, continuo não sendo a primeira pessoa a incentivar a maternidade porque sei o tamanho dos desafios que acompanham este momento, sejam eles emocionais, pessoais ou profissionais”.

Para ela, a maternidade é uma escolha pessoal de cada mulher e que deve ser respeitada

Ninguém é mais ou menos mulher por escolher a maternidade. Em tempos de tantas polarizações, a mensagem que fica é o de respeito às escolhas individuais de cada um.

 

Referências

1. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Síntese de indicadores sociais - uma análise das condições de vida da população brasileira: 2015. Disponível em: https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv95011.pdf

 

SABRAGE.MDY.19.04.0159