O QUE ESPERAR DA PRIMEIRA CONSULTA COM UM PSIQUIATRA?

Vamos deixar nossos preconceitos de lado e procurar a ajuda do profissional adequado para tratar a depressão?

Procurar ajuda profissional é o primeiro passo para tratar a depressão, seja leve, moderada ou grave. Mas não é um passo fácil de ser dado.

Ir ao psiquiatra, um dos profissionais indicados em casos de depressão, ainda é tabu e motivo de vergonha para muita gente. Para deixar as ressalvas e preconceitos de lado, procuramos um especialista para esclarecer o que esperar de uma consulta psiquiátrica. Como funciona o diagnóstico? Ele irá receitar remédios? Após quanto tempo você irá se sentir melhor?

Consulta clínica: diagnosticando a depressão

Kalil Duailibi, psiquiatra parceiro do Coletivo Pode Contar, explica que a primeira consulta é clínica, ou seja, funciona como em qualquer outro médico. “Traçamos o histórico de vida da pessoa: possíveis episódios anteriores de depressão, fatores familiares, sintomas emocionais e físicos e o que aconteceu para desencadear o quadro”, explica. Ele pode, ainda, solicitar exames caso desconfie que o problema emocional está relacionado à outra condição de saúde, como exames de sangue e imagem, ultrassons ou uma ressonância cerebral.

 

No entanto, a consulta com o psiquiatra vai além do quadro clínico. “O médico também estará interessado na sua vida, no que está acontecendo com você e em quais são os fatores precipitantes”, diz. “O psiquiatra está lá para te acolher, encontrando assim o melhor caminho para o seu tratamento”, completa.

Mais opções

O psiquiatra, porém, não precisa ser a sua primeira escolha. Muitas vezes, quem desconfia estar com depressão se sente mais confortável ao conversar com um médico já conhecido, como o ginecologista, cardiologista ou médico da família.

A depressão pode, inclusive, se manifestar por meio de indícios físicos, como dores no peito ou falta de ar. Nesses casos, é comum procurar primeiro um profissional de saúde habilitado para, tradicionalmente, tratar tais sintomas. O médico fará o diagnóstico e possivelmente irá tratar a depressão se a situação não for muito grave.

“Isso é muito interessante para os quadros mais leves. Eles são diagnosticados e cuidados pelo clínico geral, geriatra ou cardiologista, por exemplo. Mas em quadros mais moderados ou graves, a avaliação de um especialista é necessária”, explica Duailibi. “O psiquiatra é, então, a pessoa habilitada para fazer o primeiro diagnóstico correto, inclusive na primeira consulta”, completa.

O psiquiatra tem, também, condições para procurar razões fisiológicas que possam ser a causa da depressão, como hipotireoidismo e câncer. Segundo Duailibi, há cerca de 50 doenças que podem gerar quadros depressivos. Por isso, é importante encontrar a causa para, em seguida, sugerir o tratamento adequado.

Tratamento multidimensional

Engana-se quem pensa que a psiquiatria trata a depressão apenas com remédios. Após traçar o quadro clínico e dar o diagnóstico, o psiquiatra sugere o tratamento mais adequado para aquele caso. Em geral, é multidimensional, incluindo abordagens de terapia e atividades físicas para produzir endorfina.

“Quadros leves respondem bem a outras terapias, como psicoterapia, exercícios, meditação e yoga. Mas em quadros moderados, a pessoa nem consegue fazer essas atividades, não tem energia para isso”, explica. “Nesses casos a medicação auxilia muito, ela funciona como se estivéssemos desatolando o carro para depois seguir em frente. Geralmente o remédio funciona como o primeiro passo para melhorar, mas nunca age sozinho”, reforça.

Além disso, caso a depressão tenha causas fisiológicas definidas, como um tumor na mama ou problema na tireoide, deve-se encaminhar o paciente para o tratamento dessa condição. “Precisamos ressaltar que o deprimido deve procurar um médico, não apenas um terapeuta ou psiquiatra”, defende. “Às vezes a pessoa tem hipotiroidismo e sente um mal estar, além de falta de energia e vontade. Mas se ela tratar apenas a depressão, os sintomas de tireoide não vão desaparecer”, completa.

Aceite e abrace o seu tratamento contra a depressão

Após a primeira consulta, é fundamental manter o tratamento com afinco e continuar visitando o psiquiatra regularmente. De acordo com Duailibi, quando o paciente é medicado e os remédios começam a fazer efeito, ele pode parar de se tratar. Quando isso ocorre, as chances de a depressão voltar são grandes.

Por fim, o especialista aconselha a lidar com as expectativas antes da primeira consulta ao psiquiatra. O tratamento é gradual, mesmo quando há o uso de medicamentos “O remédio para depressão não surte efeito imediato, como um remédio para dor de cabeça. Por isso, devemos controlar as expectativas e entender que, lentamente, chegaremos na dose certa. Geralmente, a medicação demora de três a 15 dias para começar a gerar melhora”, declara.

Quando a depressão é recorrente, com vários episódios depressivos, o tratamento provavelmente será mantido por um tempo mais longo. Mas o que importa, no final das contas, é estar bem. “Sem tratamento o deprimido não consegue manter relacionamentos, ter um bom trabalho e assim por diante. É muito custoso para a sua vida”, afirma. “Por isso precisamos deixar nossos preconceitos de lado e entender que, se nos tratarmos, voltaremos a funcionar bem e, por consequência, a nos sentir melhor”, finaliza.

Referências

Conteúdo produzido a partir de entrevista com o médico psiquiatra Kalil Duailibi, professor assistente III da Universidade de Santo Amaro e professor titular do Instituto de Psiquiatria e Psicanálise da Infância e Adolescência.

 

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