Há muitos sinais de depressão que nem percebemos. Você sabia que a insônia pode ser um sinal de transtorno depressivo, ou de que a doença pode estar próxima de se instalar? Quem tem alguém na família que reclama porque passa o dia sonolento pois não pregou os olhos à noite, pode ajudá-lo sugerindo procurar ajuda médica para entender melhor e tratar a razão da falta de sono.

Essa ajuda especializada é importante porque a insônia está fortemente ligada com a depressão, explica a neurologista e coordenadora de pesquisa do Instituto do Sono em São Paulo, Dalva Poyares. E não adianta trazer leite morno ou mandar a pessoa contar carneirinhos, pois a falta de sono não é frescura ou desculpa de quem gosta de passar a noite em claro. O problema é caracterizado quando a pessoa tem dificuldade em pegar no sono, ou acorda no meio da noite e não consegue mais dormir. Quem passa o dia desatento e cansado também pode estar com algum problema de sono.¹

Além dos sintomas bem conhecidos da depressão, como tristeza, fadiga e falta de prazer nas coisas que anteriormente traziam alegria, a insônia é um sinal silencioso de que é necessário intervir para evitar ou tratar um transtorno depressivo.

É preciso tratar a insônia

Não é em todos os casos que a insônia está relacionada à depressão, mas ela aumenta o risco da doença. Por essa razão, Dalva recomenda sempre que um médico seja consultado para entender melhor e direcionar o tratamento.

Com todo o seu conhecimento, o médico é capaz de identificar se aquela é uma insônia isolada ou se há alguma depressão ainda não diagnosticada. A resolução do problema, portanto, pode vir de duas maneiras: com o tratamento da insônia em si – quando ela ainda não está associada à depressão – ou com o tratamento da depressão.

Quando o médico opta por tratar a insônia e ela não apresenta sinais de melhora, aumenta-se a desconfiança de que o que está instalado ali é na verdade a depressão. O profissional passa a direcionar os esforços de tratamento para eliminar o transtorno depressivo, e, quando ele começa a se afastar, a pessoa passa a dormir melhor, com mais qualidade e consegue desempenhar melhor suas funções durante o dia.

Psicoterapia também ajuda²

Além de um psiquiatra, encorajar quem sofre com insônia a buscar ajuda de um psicoterapeuta também é uma ótima ajuda. A neurologista do Instituto do Sono explica que a Terapia Cognitivo Comportamental para Insônia (TCC-I) é capaz de auxiliar na identificação de comportamentos que prejudicam o sono, colaborando para diminuir a atividade mental intensa durante a noite, que comprovadamente atrapalha o bom descanso.

Um exemplo é aquela típica preocupação com coisas do dia a dia que aparece quando a pessoa tenta dormir. A psicoterapia trabalha para que a pessoa consiga relaxar apropriadamente, além de fazer uma higiene do sono, que é a mudança de hábitos que alteram o sono, como consumir cafeína à noite, por exemplo. “Existem várias técnicas que ajudam a combater a insônia, e o psicoterapeuta vai identificar os principais sintomas e trabalhar nisso”, explica.

Referências

1. .Mayo Clinic. Insomnia. Disponível em: https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/insomnia/symptoms-causes/syc-20355167

2. Mayo Clinic. Insomnia treatment: Cognitive behavioral therapy instead of sleeping pills. Disponível em:  https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/insomnia/in-depth/insomnia-treatment/art-20046677

 

SABRAGE.MDY.19.03.0111

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